A diferença desse Atlético x Cruzeiro começa pelo local: numa cidade do interior. Os dois maiores times do Estado jogando em Sete Lagoas.

E imaginar que já tivemos o inverso: os dois maiores times da cidade jogando na Capital. A história registra um Democrata x Bela Vista no maior estádio de Minas na época, o Independência. Foi nos anos 1950, e os senhores vão me perdoar, mas vou ligar neste momento para ninguém para confirmar o resultado, mas creio que foi 1 x 0 para o Bela Vista.

Os mais velhos contam que a rivalidade era tanta que as forças policiais recomendaram que a partida não fosse em Sete Lagoas, onde os estádios de cada um ficavam a apenas um quarteirão de distância.

A história diz que eram grandes times. O Bela Vista era do povão, o Democrata dos endinheirados. O maior ícone do BV ou “Rela”, como era chamado, ficou famoso nacionalmente: o centroavante Genuíno “o homem do caminhão”, que jogou depois no Vasco. Exaltado por Armando Nogueira numa crônica no Jornal do Brasil, como um craque, que tenho guardada comigo.

O Democrata revelou o goleiro Careca (campeão brasileiro com o Galo), Vaguinho, ex-Galo, Corinhtians e seleção brasileira, nos anos 1960/1970, e mais recentemente o goleiro Gomes, ex-cruzeiro, atualmente na Inglaterra, e seleção na Copa da África do Sul; o zagueiro João Carlos, ex-Cruzeiro, Corinthians e também seleção brasileira.

O Bela Vista hoje tem um excelente trabalho nas categorias de base, comandado pelo ex-lateral Abelardo (ex-Atlético e Palmeiras) e pelo ex-goleiro Careca. Tem uma atividade social forte e a sua imponente sede, às margens da Lagoa Paulino, é alguns andares dela são alugados para o funcionamento da Câmara Municipal da cidade.

O Democrata está na terceira divisão mineira, que começa em agosto e faz amistoso terça feira contra o Villa Nova na Arena do Jacaré.

Mas o assunto aqui hoje é Atlético x Cruzeiro.

Assim como aquelas pessoas que aguardam a volta de Jesus Cristo à terra, os atleticanos esperam que o trabalho do Vanderlei Luxemburgo e alguns dos melhores jogadores do país apareça e se converta em bons resultados. E ninguém sabe quando essas coisas vão acontecer, e, se vão acontecer.

No caso do Galo, se vencer amanhã, pode ser, que o momento tão aguardado esteja chegando.

Os cruzeirenses esperam que Cuca faça mais que o antecessor Adilson Batista, que chegou à final da Libertadores, mas não teve competência para ganhar, em casa.

Por seu lado, o treinador também luta para acabar com o estigma de não conquistar os títulos importantes que disputa.

Tem ambiente e estrutura superiores aos times que dirigiu até então. Se o São Paulo, onde ele chegou perto, é mais forte financeiramente que o Cruzeiro, ele tem uma tranquilidade em Belo Horizonte que não tinha lá.

Uma vitória no clássico como este embala a campanha, e ele ganha definitivamente a confiança da torcida cruzeirense.

Um jogão. Como sempre, imperdível.

Continuo lamentando essa história de uma torcida só.

É o Estado e as autoridades do esporte assumindo que os bandidos estão vencendo a cidadania.